A bibliotecária Kátia, que é a articuladora do projeto na unidade, fez as honras da "casa", recebendo o escritor com um gostoso café, regado a bolos e pipoca. Os alunos do 4° ano foram se acomodando na biblioteca, juntamente com as professoras Marlise e Nildes. Para abrir o encontro, os alunos Giuseppe e Victor tocaram ao teclado a música The piano duet, do filme Corpse bride (A Noiva Cadáver) . Foi simplesmente emocionante.
Adão iniciou sua fala timidamente em um tom de voz muito baixo. As crianças ficaram atentas e em silêncio, pois tinham muitas curiosidades a respeito da obra Palavras de Xeramõi e também sobre a cultura indígena. Logo começaram as perguntas, e o escritor foi se soltando. Parece que as crianças conquistaram a confiança dele. Houve uma grande sintonia entre todos os que estavam presentes. As crianças perguntaram sobre a vida do escritor e os costumes indígenas. Elas queriam saber, por exemplo, se a aldeia continua com as tradições indígenas; se ele conhece outras histórias antigas; onde ele nasceu; qual o fato mais marcante na vida dele; também o dia mais feliz que teve; qual o significado de piá; se os índios ainda fazem rituais de dança; se é permitido a uma índia casar com um homem branco...
A bibliotecária Kátia e as professoras Marlise e Nildes também fizeram perguntas que inriqueceram ainda mais o momento. Uma delas, foi sobre a importância do milho para a comunidade indígena. Adão respondeu a todas as questões com a tranquilidade que lhe é peculiar. Falou sobre a morte do pai, de quem cuidou dos oito aos 13 anos, e da saudade que sente dele ainda hoje, com mais de cinquenta anos. Também contou que está escrevendo um livro para contar esta história. Sobre o milho, ele revelou os rituais que envolvem desde o cultivo até o consumo desse grão sagrado para eles.
Ao final, Kátia entregou ao escritor folhas de papel reciclado, produzidas pelos alunos. Ela também presenteou-o com um exemplar do livro escrito e ilustrado coletivamente pelos alunos, no qual contam o que entenderam sobre a obra.
O momento dos autógrafos fechou o encontro. As crianças receberam um marca-texto para esse fim, mas a maioria preferiu ter o autógrafo no seu próprio livro, aquele que produziram, a partir da obra de Palavras de Xeramõi, durante as aulas com a professora Marlise.
PARABÉNS à professora Marlise e à bibliotecária Kátia por esse brilhante e significativo trabalho de leitura e de produção textual.
Nossos sinceros agradecimentos ao escritor Adão Karaí Tataendy Antunes por mais esta participação no projeto.